01 agosto 2012

{Lançamentos} da Editora Modo e estarão na Bienal de São Paulo

Ola leitores, essa postagem será feita em 3 partes, pra não ficar cansativo, pois se trata de alguns livros que são lançamentos e estarão na Bienal de São Paulo.



Mariana Mello Sgambato
Pág: 287

Gustavo suspirou fundo. Esse era o único defeito de Daniel: ficava o tempo todo protegendo Bia das brincadeiras. Era algo que também tinha começado há pouco tempo, pois se lembrava de que no começo Daniel juntava-se a ele nas brincadeiras contra Bia, rolava até uma competição entre ambos.

Foi por essa mudança repentina de comportamento que Gustavo se sentiu obrigado a conversar seriamente com Daniel durante o Ano Novo, para pedir-lhe que não tentasse nada com Bia, pois se algo acontecesse, sabia que isso afetaria a amizade dos dois.

Lembrava-se daquela noite como se fosse ontem, já fazia mais de um mês, mas as memórias estavam marcadas profundamente em sua cabeça. Tinha sido um dia maluco, Gustavo ainda estava muito chateado com o fim de namoro com Larissa – que era melhor amiga de Bia – seus pais brigando na sala, Bia chateada por estar sozinha durante o feriado do Ano Novo e Daniel tentando fazer companhia para a menina, como um bom anfitrião – estavam na casa de veraneio dos pais de Daniel, que apareceram apenas no dia da virada.

Notou que durante aquelas duas semanas que passaram de férias na praia, Bia e Daniel tinham ficado muito próximos, conversando sobre coisas que tinham em comum e fazendo tudo juntos. Com isso, Gustavo ficou de lado lamentando o término do namoro.

Gustavo sentia-se até meio mal quando se lembrava do momento em que disse para Daniel prometer que não tentaria nada com Bia e que terminou a frase com “confio em você, você é meu melhor amigo” de uma forma manipuladora. Julgava necessário, antes que as coisas saíssem do controle. Bia não levava ninguém a sério e com Daniel não seria diferente, se eles ficassem juntos, certamente perderia o melhor – e único – amigo na primeira briga de namoro dos dois.

Não podia se dar ao luxo de perder o melhor amigo bem quando tinha perdido a namorada. Aliás, se não fosse por Daniel, Gustavo certamente passaria as férias de verão trancado em casa se escondendo no fundo do poço.





Gislene Vieira de Lima
Pág: 253

Mesmo levando as mãos aos ouvidos as palavras de seu pai não paravam de ecoar em sua mente: “Seria melhor tê-la morta... morta...”.

Surpreendendo os guardas da porta, Loiane saiu correndo desnorteada. Não conseguia enxergar nada a sua frente, além do rosto de seu pai ditando as terríveis palavras. Só percebeu que estava chorando quando sentiu o gosto salgado das lágrimas em sua boca. Por fim, foi parar no jardim.

Ficou imóvel por alguns instantes, perdida em meio à paisagem familiar, e depois, caminhou rapidamente para o precipício de onde se tinha uma esplêndida visão do mar. Mas ela não conseguia ver o oceano lá embaixo, nem ouvir o grito das ondas se arrebentando contra o rochedo em seu cinzelar eterno.

Pareceu-lhe, por um segundo, ter encontrado a resposta para todos os seus problemas. Já não chorava mais. Sentiu o cheiro salgado invadir o seu ser enchendo o ar de promessas de paz e silêncio. Foi se aproximando perigosamente da borda.

— Opa, magrinha! Assim vai acabar voando com este vento!
– disse Abner puxando-a pelo braço e afastando-a da beirada. Atordoada, Loiane deixou-se levar docemente. Aos poucos foi recobrando a presença de espírito.
— Tire suas mãos de mim! – gritou, desvencilhando-se dos braços estranhos que a guiavam para a proteção do velho salgueiro.
— Quem você pensa que é?
— Lamento muito, mas fiquei preocupado a vê-la tão próxima... – calou-se ao fitar os olhos de sua interlocutora. Por um instante lhe pareceu que algo estava fora do lugar, como se algum gênio brincalhão tivesse pegado uma bela jovem e trocado seus olhos humanos pelos de um gato. Imediatamente soube que estava diante da princesa e curvou-se educadamente. — Lamento o ocorrido, alteza. Eu não quis ser inconveniente.

Sentindo a raiva abrandar, Loiane esperou até que esta se extinguisse por completo. Tudo o que restou em seu peito foi uma enorme tristeza. Percebeu o que estivera prestes a fazer. Descobrir a existência de um padecer eterno como castigo pelo sacrilégio que quase cometera era algo mais do que poderia suportar. O que a preocupava realmente era a reação que seu pai teria se soubesse desse incidente.

Devia haver outra solução para seus problemas e ela via-se obrigada a encontrá-la.
— Quem é você afinal? – Indagou com alguma rispidez.
— Permita que eu me apresente. Abner Almodóvar Mouraber, aprendiz de feitiçaria, à sua disposição. 





Valdir O. Ferreira
Pág: 280

Clarisse havia completado dezesseis anos quando conheceu Marcelo, e foi então que começou seu martírio. Era um domingo. O sol tímido da tarde iluminava a pequena vila; a brisa mansa soprava como sempre. A tarde estava festiva, quase todos os moradores estavam à beira do campo de futebol. Era o que faziam todas as tardes de domingo. Não havia muito que fazer, ou se assistia televisão, ou ia jogar. O campo ficava bem no centro da vila, ao lado da bem cuidada igrejinha. Era ali que se comemoravam todas as festividades.

Neste domingo, ela o conheceu. A princípio, nem queria ir ao campo. Sentia-se indisposta, com uma porção de coisas passando pela sua cabeça. Naquela tarde, estava confusa e queria ficar sozinha. Alguma coisa lhe dizia para não ir. Preferia ficar em casa. Queria terminar de ler Sublime Amor, livro que pegou na biblioteca da escola. Desde que começou a lê-lo, sentia-se envolvida por um sentimento mágico, que tocava fundo o seu coração. Era uma sonhadora, e ler o livro estava fazendo com que todas as fantasias do eterno e pungente amor desabrochassem nela. Fechava os olhos e se via como Angélica, heroína do romance, jurando amor ao seu amado Rodrigo. Esse clima romântico a envolvia, e ela viajava nas nuvens, sonhando também com seu príncipe encantado, tal qual o da história que lia. Ao saborear a leitura, sentia-se como se entrasse naquele universo, fundindo-se nas páginas e nas tramas desse amor. Durante horas, viajava num mundo que não conhecia ainda, a não ser quando se colocava no papel de Angélica. E então, ela experimentava a sensação do amor e do desejo.

Mas, com a insistência das amigas foi ao campo e, logo que chegou, viu Marcelo. Pela primeira vez, sentiu um calafrio envolvendo-a por inteiro e uma ansiedade que não havia ainda vivenciado, apenas imaginado. Ele estava em campo, jogando uma partida de futebol. Num determinado momento, numa dividida com o adversário, caiu bem próximo de onde ela estava e a olhou de uma forma diferente, o que a perturbou. Clarisse sentiu um rubor subindo pela face e... Era ele, seu príncipe. O rosto ardia, e ela não conseguia mais desviar os olhos dele. Marcelo tinha um porte atlético, moreno e forte. Um olhar cativante e misterioso, certa desenvoltura no andar, no correr e até mesmo no falar. Vez ou outra, ele sorria, brincava com os companheiros, e isso a encantava. Não tinha dúvidas, era ele. Assim como Angélica tinha o seu príncipe Rodrigo, ela acabava de encontrar também o seu príncipe, Marcelo.

Clarisse tinha corpo de mulher. Um metro e setenta, cinquenta e cinco quilos; pele branca; cabelos loiros, encaracolados; dentes alinhados; um profundo olhar azul e um sorriso franco e sedutor. Era, de fato, possuidora de uma beleza rude, primitiva, porém feminina e de uma meiguice sem fim. Ela corava quando ele a olhava. Era a primeira vez que alguém a olhava assim. No inicio, ficou confusa.
Era amor a primeira vista. Apaixonara-se perdidamente por aquele rapaz.




Adriana Vargas de Aguiar
Pág: 210

— Qual foi a sensação de terminá-lo? – referiu-se ao livro que acabara de escrever e estava em minhas mãos, durante a viagem em seu carro.
Ele não parece não se dar conta de que esteve presente em todas as linhas. Lembrei-me dos momentos durante a escrita, na cama, uma enchente de ideias repensadas, formuladas com o afã do reconhecimento... A fumegante tigela do chá aguardando por mãos afoitas... Troco o chá e o resvalo de pão pelo teclado, preciso reencontrar você, em algum lugar. Quero mais e mais... Isso não acaba nunca?

— Quando se tem a inspiração, a sensação é neutralizada, pois sei que não o escrevi com minha absoluta habilidade.
Eu queria lhe dizer que ele era a razão, apesar dele saber disso e se fazer de desentendido.
— Você tem cara de escritora.

Ele dizia isso quando eu colocava os óculos que me facilitavam a visão; ele sempre dissera a mesma frase e se esquecera disso ou talvez queira me provocar a ponto de me ver tão furiosa com o desejo de pular em seu pescoço e lhe roubar um beijo clandestino.
Fui ao seu enterro dias atrás, ao ver em páginas a anunciação de que não é aceito, nem tão pouco, bem vindo pelo portal adentro das edições. A única pessoa que quer saber de você sou eu. Eu que não existo a não ser para construir um mundo que faça você respirar, por entre as minhas palavras. O sol não nascerá para os poetas... Mataram o seu anjo da guarda e o seu sol late como um cão, no quintal interior.

— Como esquece tão facilmente o que diz... Não consigo acreditar nisso...
— O que tenho esquecido? – perguntei perplexa.
— Quer mesmo que eu diga? – queria xingá-lo de idiota neste momento. Ele se esqueceu de ficar, de me amar e ser feliz ao meu lado.
— Esqueci de lhe dizer que estarmos juntos envolve riscos... Esquecemos de ser sensatos; a paixão torna as pessoas irresponsáveis.
— É assim que você denomina uma pessoa que se fragiliza diante do que sente? – queria persuadi-lo.
Ele diminuiu a velocidade.
— Você sabe o que está acontecendo?
Ele estacionou o carro.
— Sim. – respondi.
Ele olhou profundamente nos meus olhos.
— Me diz, então...
Sua boca fez expressão de me desejar.
— Não conseguimos nos afastar um do outro. – eu disse.

Entreguei-me a ele diante de carros que iam e vinham em alta velocidade. O céu aberto nos aquecia através do vidro do carro que via nosso amor acontecendo de forma avassaladora. O livro que estava em minhas mãos e que continha cada letra vinda de lágrimas durante a sua espera, caiu por entre as minhas pernas e esparramou-se no assoalho do carro. O leitor se lembrará de que cada palavra inspirada na sensação que é tê-lo em meus braços.






Um comentário:

  1. Não li nenhum desses livros, até porque não lançou, né? rs
    Mas parecem super legais!
    Deu vontadezinha ^^) Quando eu tiver a oportunidade, compro pra mim *-*

    Beijos!
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